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Os tempos de lágrimas e de pedir por esperança acabaram, Agora chegou o tempo em que ela vai se levantar, ela não se importa mais com o que você vai pensar. As lágrimas que você causou se tornaram as armas do seu próprio abate, e graças a você, a garota que acreditava na felicidade se fechou para o mundo da felicidade e entrou para o mundo da dor.
(Ceifeiro de Pesadelos)

Os tempos de lágrimas e de pedir por esperança acabaram, Agora chegou o tempo em que ela vai se levantar, ela não se importa mais com o que você vai pensar. As lágrimas que você causou se tornaram as armas do seu próprio abate, e graças a você, a garota que acreditava na felicidade se fechou para o mundo da felicidade e entrou para o mundo da dor.

(Ceifeiro de Pesadelos)

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"Eu dizia que tudo estava bem, eu sorria, brincava com as pessoas ao meu redor, eu fingia ser feliz, mas no fundo eu estava vazio, quando todos iam embora eu me fechava, chorava pelos cantos, sofria mais por não ser eu mesmo."

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"E as histórias que eu vivi não são feitas de finais felizes, a maioria nunca vai ser acabada, seja por não ter forças para continuar, seja por não ter motivos. Em todas elas eu me machuquei, chorei e sofri, mas continuei de pé, aprendi a ser mais um sobrevivente."

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"E eu sei que onde ela estiver, ela vai estar olhando por mim."

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Tudo parecia correr bem naquele dia, eu tinha acordado sem sentir dores, era um dia normal, resolvi caminhar num parque, eu precisava andar, sentia que faltava algo, e resolvi procurar por ai. No caminho encontrei alguns mendigos deitados no alambrado de uma loja. Sentei do outro lado da rua e fiquei observando, como pode? Como eles perderam suas famílias, a casa, tudo o que eles tinham. Uma mulher passou por mim e me disse “crítico né? A maioria deles está aqui por serem viciados”, continuei calado, percebi que ela era uma moradora das redondezas. Levantei, mas aquela cena não saía da minha mente. Quando cheguei no parque, sentei em um banco embaixo de uma árvore e aqueles pensamentos não saíam da mente. Como uma pessoa pode ser prisioneira de si mesma? Como ela pode praticamente vender tudo o que compõe sua alma para apenas aumentar o abismo entre ele e sua felicidade? Cavando sua cova tão profundamente que quase se pode sentir o calor do inferno. Foi ai que eu percebi o quão baixo é o ser humano. Não aqueles que estão em uma condição ruim, mas aqueles que passam e praticamente atiram sete pedras. Fui para casa meio perturbado, deitei na minha cama respirando ofegante, eu não queria mais viver nesse mundo. Onde não existe compaixão, não que eu cultive esse sentimento, mas não aguentei ver a crueldade no olhar das pessoas que passavam por lá. Peguei uma faca na cozinha e me dirigi ao quintal, estava a ponto de começar, eu sentia o metal frio passando pela minha pele, mas ai eu pensei “será que é isso o que tem que acontecer?”. Não sei o que me aconteceu naquele momento, mas eu me convenci que iria mudar algo, nem que seja a vida de uma pessoa, fiquei decidido à fazer isso. Mas temo que eu não seja capaz de mudar alguém.

(Ceifeiro de pesadelos)

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Chegando em casa, eu já podia respirar calmamente, eu sentia que estava seguro, corri para meu quarto e deitei na cama. Caí em sono profundo por algumas horas e acordei com gritos no corredor, eram meus pais, discutiam novamente, eu coloquei o travesseiro sobre a cabeça mas não tinha como abafar o som da voz deles, eu ouvi tudo, e em meio a lágrimas eu levantei, andava lentamente, meus passos só podiam se comparar à meus pensamentos, nada fazia sentido naquela hora, fui para a cozinha, peguei um copo, e enchi com água, caminhei até eles, quando me viram naquele estado um silêncio tomou conta da casa, eu podia ver a culpa nos olhos deles, mas eu não senti pena, eu não sentia mais nada naquele momento, olhei para a cara deles e disse “eu não poderia me sentir melhor com toda essa bagunça”, joguei o copo não chão e continuei caminhando, pisei em cacos de viro, meus pés sangravam muito mas eu não sentia a dor, as pegadas de sangue tomaram conta do corredor, e o único barulho que eu podia ouvir era dos meus soluços em meio as lágrimas. Chegando no quarto eu tentei tirar os estilhaços dos meus pés, a dor não se comparava ao sentimento de vazio e culpa daquele momento, mas não superava o alívio que eu senti. Só me restava dormir e esperar um novo dia. Eu não tinha mais a esperança de que tudo iria mudar.

(Ceifeiro de pesadelos)

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E eu estava caminhando lentamente sem destino, apenas vagando por ai, mas toda vez que olhava para frente eu via alguém olhando para mim, porque todos aqueles olhares de reprovação? Eu abaixei a cabeça, coloquei meus fones de ouvido, aumentei o volume do celular e continuei andando, eu via os carros passando e sempre rostos preocupados, eu via as pessoas mas nenhuma sorria, me sentia um estranho nesse mundo hostil. Quando parei para descansar um pouco, uma senhora parou, me olhou de cima em baixo e faz uma cara de desprezo. Juro que naquele momento eu já não sabia se aquele era meu lugar, como se não bastasse o vazio que eu já sentia. Levantei e comecei a andar mais rápido que antes, mas os olhares me perseguiam, até que eu cheguei em casa, subi as escadas correndo, eu me sentia seguro lá, mas tudo estava para mudar, meu único abrigo estava para se tornar meu pior castigo, o verdadeiro inferno estava para começar.

(Ceifeiro de pesadelos)

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"Eu caminhava, e por onde eu andava eu só era olhado com reprovação, nunca fui bom o suficiente para as pessoas, sempre fui um nada na vida delas. Então deixei de me importar com o que elas pensavam, os olhares continuavam a ser de reprovação, mas eu tinha certeza de que eles eram os monstros."

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E como tudo começou?

Talvez há um ou dois anos atrás, não existia mais razão para continuar de pé, todas as pessoas que eu via ao meu lado tinham se corrompido por seus próprios valores, minha mente era um caos, e a única saída que eu conseguia enxergar era abrir mão da minha vida. Mas pensei que deveria haver algo além do que um fim trágico. Então em uma tarde qualquer, me deitei, olhando fixamente para o teto eu gritei, a voz de agonia tomava conta do meu quarto, eu não aguentava mais a tortura de estar vivo. As lágrimas corriam pelo meu rosto, minha pele já sangrava devido aos arranhões de agonia. Foi ai que aconteceu. Parei de chorar, e já não conseguia mais encontrar mais expressão em meu rosto, eu apenas via um olhar frio, nunca tinha me sentido tão calmo em toda a minha vida, não havia dor, não havia tristeza, apenas um vazio. Confesso que no começo eu cheguei a me sentir incompleto, mas só queria encontrar uma forma de não sentir mais aquela dor. O tempo passou, ser magoado já virou rotina, eu chego a desejar a morte de muita gente, não sei mais o que eu me tornei, não sei mais o que eu era, não tenho a mínima ideia do que eu quero ser, não existe espaço para felicidade neste mundo onde eu me encontro. Aguardo o dia da minha morte, não possuo mais nome, não possuo mais um lugar, sou penas mais um andarilho que passa pelas pessoas sem ser notado.

(Ceifeiro de pesadelos)